Hoje, 24 de Março de 2017, a Organização Mundial da Saúde junta-se ao resto da comunidade internacional para assinalar o Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose. O tema deste ano continua a ser o mesmo do ano passado: Unidos para Pôr Fim à Tuberculose”, mas com uma particular incidência em “Não deixar ninguém para trás”, em linha com os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

 A tuberculose continua a ser uma das 10 principais causas de morte no mundo. Embora o número de casos de tuberculose a nível mundial esteja a diminuir, houve uns estarrecedores 10,4 milhões de novos casos estimados da doença em 2015. Mais de um terço destes continuam por diagnosticar e tratar, ou encontram-se diagnosticados mas não estão registados nos programas nacionais de luta contra a tuberculose.

 Cada um em quatro novos casos de tuberculose ocorre em África, que conta também com 16 dos 30 países que têm o fardo mais elevado da doença. Cada um em três casos de VIH associado à TB encontra-se na Região Africana, e 81% dos doentes notificados de TB conhece o seu estado serológico para o VIH. Para agravar esta situação, sete países têm níveis elevados de tuberculose multirresistente aos medicamentos (TB-MR). A TB resistente aos medicamentos continua a constituir um sério desafio devido à falta de capacidade laboratorial adequada para a sua detecção, de acesso ao tratamento e à longa duração e os custo proibitivo do tratamento.

 Em 2014, os países da Região Africana concordaram em reduzir as mortes por tuberculose em 75% e de novos casos de TB em 50%, até 2025. Para se atingir estas novas metas, os países e os parceiros precisam de intensificar os esforços para alcançar, tratar e curar todos os doentes com tuberculose, sobretudo as populações mais pobres e mais vulneráveis, que são afectadas de uma forma desproporcional pela tuberculose e que precisam de uma atenção especial, e ainda as zonas que tem falta de acesso a serviços básicos de saúde.

 Estas populações incluem os migrantes, os refugiados, as minorias étnicas, os mineiros e outras pessoas que trabalham em contextos de risco, os idosos, as mulheres marginalizadas e as crianças em muitos contextos. Os factores como a malnutrição, as más condições de habitação e de saneamento, e ainda outros factores, como o consumo de álcool e de tabaco, e a diabetes, aumentam a vulnerabilidade à tuberculose e afectam o acesso aos cuidados. Para além disso, este acesso é muitas vezes dificultado pelos custos astronómicos associados à doença, a falta de procura em cumprir o do tratamento e falta de protecção social, o que resulta num ciclo vicioso de pobreza e de saúde precária.

 Isto significa que é preciso unir esforços para alcançar a cobertura universal de saúde, envolvendo mais do que apenas os ministérios da saúde. Significa criar oportunidades em toda a sociedade – outros departamentos governamentais, sociedade civil e comunidades, organizações não-governamentais e sector privado - para fazerem parte da luta para pôr fim à epidemia da tuberculose durante a nossa vida.

 Por outro lado, é preciso levar a luta contra a tuberculose para um nível mais avançado, tirando partido do poder da inovação. Os peritos estão agora a olhar para abordagens inovadoras, tais como a utilização das tecnologias digitais, nomeadamente, a telemedicina e a saúde móvel, para alcançar uma maior cobertura de uma forma mais eficaz. Por exemplo, as radiografias digitais podem ser enviadas por correio electrónico, permitindo um apoio remoto e a notificação em tempo real à medida que os casos são diagnosticados. Alguns países africanos estão já a utilizar telemóveis e outros dispositivos para registar e comunicar a notificação de casos. Esta é uma forma bem mais eficiente de tratar oportunamente os doentes e de saber quem são os que não vêm às consultas.

 Fazer as coisas de maneira diferente exige assumir o compromisso de reforçar os sistemas de saúde, melhorar a comunicação e as competências dos prestadores de serviços de saúde, se quisermos alcançar a meta dos ODS de pôr termo à epidemia da tuberculose até 2030. É preciso aproveitar aquilo que foi conseguido durante a era dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e reposicionar os recursos para se conseguir ter impacto e obter os melhores resultados possíveis.

 A comunidade mundial está a reconhecer o enorme desafio que é a consecução deste objectivo. Para o efeito, 2017 assistirá à Primeira Conferência Ministerial Mundial da OMS sobre Tuberculose em Novembro, em Moscovo, na Rússia, que será seguida, em 2018, da Reunião de Alto Nível da ONU sobre Tuberculose, a realizar durante a Assembleia Geral da ONU.

Ao comemorarmos o Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose, lanço um apelo aos governos e a outras partes interessadas para que estejam “Unidos para Pôr Fim à Tuberculose”, trabalhando em estreita colaboração para acabar com o flagelo desta doença, assegurando que ninguém é deixado para trás. Para isto, é preciso investir mais nos serviços de saúde e, sobretudo, garantir que as famílias não ficam empobrecidas por causa do custo dos tratamentos com doenças infecciosas como a tuberculose. A OMS vai continuar a prestar apoio aos países no reforço dos sistemas de saúde para tornar este objectivo numa realidade.

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