foto diretor geral OOAS CrespinMensagem do Director Geral

09 de Julho de 1987 - 09 de Julho de 2017, faz três décadas que os Chefes de Estado e de Governo da região Oeste Africana, convencidos do papel essencial da saúde na integração e no desenvolvimento socioeconómico da região, adoptaram o Protocolo A/P2/7/87 sobre a criação da Organização Oeste Africana da Saúde (OOAS) na qualidade de única Instituição especializada da saúde da região.

À semelhança dos anos anteriores, este dia em particular oferece-me uma oportunidade de prestar homenagem merecida aos Pais Fundadores da OOAS, que muito cedo perceberam o significado da criação deste instrumento de integração regional em matéria de saúde, com a missão de oferecer às populações da CEDEAO, o nível mais elevado possível em matéria prestação de cuidados da saúde.

A realização dos objectivos desta missão, por vezes difícil e excitante é uma tarefa a longo prazo que a OOAS esforça-se por cumprir diariamente, com convicção e determinação em colaboração com todos os Estados membros da CEDEAO e o apoio dos parceiros.

Em trinta anos de existência, foram envidados esforços consideráveis no domínio da governação em saúde, da parceria estratégica e da harmonização das políticas, da luta contra as epidemias e outras doenças, da saúde materna e neonatal, infantil, dos adolescentes e jovens e dos idosos, do reforço dos sistemas de saúde, do desenvolvimento da pesquisa, da medicina tradicional, dos recursos humanos da saúde, da promoção das boas práticas, dos medicamentos e vacinas, da informação sanitária, etc.… mas o caminho a percorrer ainda é longo.

Efectivamente, a região Oeste Africana ainda é afligida por epidemias recorrentes de meningite, cólera, sarampo, dengue, o ressurgimento de epizootias da gripe aviária altamente patogénica e mais recentemente a epidemia da febre do Vale de Rift e a da doença pelo vírus Zika. O espaço CEDEAO ainda tem na sua memória os estigmas da terrível epidemia da doença pelo vírus Ébola que nos recordou da interface homem-animal-ecossistema na evolução e emergência de agentes patogénicos e sobretudo relembrou-nos a necessidade de conjugar esforços, através da implementação de acções multissectoriais para a construção de sistemas de saúde mais sólidos e resilientes com vista a enfrentar eficazmente as ameaças crescentes de epidemias.

É por isso que a OOAS decidiu colocar este 30º aniversário sob o tema: "Abordagem "Saúde Única": Exigência de uma sinergia de acções na luta contra as doenças em África Ocidental".

Esta abordagem integrada da saúde coloca em destaque as interacções entre os sectores da saúde animal, humana e os seus diversos ambientes. Encoraja as colaborações, as sinergias e o enriquecimento cruzado de todos os sectores e actores cujas actividades podem ter um impacto sobre a saúde.

Efectivamente, 75% das novas doenças infecciosas que afectaram os seres humanos ao longo da última década são de origem animal. O objectivo da abordagem saúde única é de melhorar a saúde e o bem-estar das populações graças à prevenção dos riscos e atenuação dos efeitos das crises provenientes da interface entre os seres humanos, os animais e os seus ecossistemas. Requer a apreensão da segurança sanitária numa perspectiva global e transversal, apelando a uma colaboração estreita entre os actores da saúde humana, da saúde animal e da saúde ambiental, dos ecossistemas e da biodiversidade, a fim de criar a nível nacional bem como a nível regional mecanismos aptos a garantir com eficácia a vigilância, a detecção, a prevenção e o controlo das doenças.

Nesta perspectiva, várias decisões foram tomadas recentemente pelas mais Altas Autoridades da nossa região que corroboram o início de uma mudança de paradigma em termos de luta contra as doenças e as epidemias na nossa região. Trata-se entre outras coisas, de:

  • A Decisão tomada pela 47ª Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO realizada em Acra a 19 de Maio de 2015, no sentido de criar um Centro Regional de Vigilância e Controlo das Doenças da CEDEAO (CRVCD/CEDEAO);
  • A criação de uma Equipa Regional de Intervenção Rápida (ERIR) denominada "CAPACETES BRANCOS DA CEDEAO";
  • A adopção da Resolução de Dacar sobre a criação de um Quadro de Coordenação Regional da abordagem "Saúde Única" durante a 50ª Sessão da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO realizada em Dezembro de 2016;
  • A adopção da Declaração de Monróvia sobre a reconstrução Pós Ébola pela 51ª Sessão da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO em Junho de 2017, no seguimento da reunião de alto nível Pós Ébola realizada em Monróvia em Abril de 2017.Esta é uma oportunidade de reiterar a nossa gratidão a todos os Chefes de Estado e de Governo da nossa região pelo seu pleno compromisso, o apoio constante e o acompanhamento permanente à OOAS na sua empreitada de encontrar colectiva e estrategicamente as soluções para os problemas de saúde das nossas populações.Gostaria também de aproveitar esta oportunidade para testemunhar o nosso reconhecimento e a nossa gratidão aos Estados membros e apelar ao reforço da ligação já estabelecida entre os actores da saúde humana, da saúde animal e dos responsáveis pela agricultura e as questões ambientais da nossa região com vista a acções colectivas de modo a ultrapassar juntos, o desafio da prevenção e da luta concertadas e colectivas contra as epidemias e acelerar assim o desenvolvimento socioeconómico da nossa região.Por outro lado, quero reiterar a todos os Parceiros Técnicos e Financeiros a nossa profunda gratidão pela sua disponibilidade constante em acompanhar-nos sustentadamente nos nossos esforços de garantir às populações da nossa Comunidade um melhor estado de saúde.Não poderia terminar sem pronunciar o nosso compromisso com os ideais de integração promovidos pela CEDEAO.

 

Viva a integração Africana, Viva a CEDEAO, Viva a OOAS. 

Dr. Xavier CRESPIN, Director Geral da OOAS

Muito obrigado

Inscrevendo-se nesta mesma dinâmica, a recente Assembleia dos Ministros da Saúde da CEDEAO realizada em Abuja, Nigéria, a 16 de Junho de 2017 adoptou os termos de referência da Plataforma de Coordenação Política do Quadro Regional "Saúde Única" da CEDEAO, bem como o roteiro relativo às principais intervenções a realizar durante o período de 2017-2018 para a sua operacionalização.

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